SONHOS DE VALSA….

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TEXTO – LUIS BOGO

A palavra valsa tem origem em “walzen”, que significa revolver; ou seja: ir e voltar. Girar e girar novamente. As músicas em ritmo de valsa são composições em compasso ternário, com uma primeira marcação mais forte e as duas seguintes mais suaves. E a dança valsa, é executada por casais abraçados cujos movimentos são compostos por um passo, um deslizar dos pés e outro passo, acompanhando a marcação da música.

A Valsa surgiu entre os séculos XVIII e XIX e existem duas hipóteses para o seu aparecimento, provavelmente complementares. Alguns afirmam que ela se originou a partir da La Volta, que era praticada na região francesa da Provence, onde, naquela época, os casais giravam continuamente ao dançar. Outros dizem que teria surgido mais ou menos no mesmo período, entre a Áustria e a Alemanha, sob a denominação Walzer, que também significa girar.

Aos poucos, o novo estilo rodopiante de dançar ganhou os salões de Viena, impulsionado, principalmente, pelas melodiosas composições de Chopin, Tchaikovski e dos Johann(s) Strauss – o pai e o “jovem”. Também surgiram variações na execução de seus passos, que caracterizaram a ‘valsa de Boston’ ou ‘inglesa’, de movimentos mais expansivos e largos.

No início, tanto em Viena, quanto em Londres ou nos Estados Unidos, o fato dos casais dançarem abraçados causou impacto nas elites conservadoras da sociedade; porém, vagarosa e elegantemente, acabou por ser aceita, popularizando-se e tornando-se a dança de salão mais praticada em todas as camadas sociais até o início do século XIX. E, abaixo da linha do Equador, mais tarde esta fórmula encontrou-se com o talento de Zequinha de Abreu e a ternura de Pixinguinha, ganhando a preferência de noivas e debutantes nos quatro cantos do planeta.

Já agora, nestes tempos sombrios em que nossos ouvidos são atacados por ritmos nada melódicos, rimas pobres e temáticas violentas, sou instado (por peculiar e rara inspiração) a escrever sobre a valsa. E começo a pensar no quanto é difícil dançá-la com perfeição, seja na festa de debutante ou casamento; ou desenhando corações sobre o gelo num rinque de patinação, pois não é raro que se encontre o parceiro certo e se erre o passo, ou que se tente acertar o passo com o parceiro errado. E o que se aplica às valsas, também se aplica a esta dança que chamamos vida, repleta de ocasiões mais fugazes que as semifusas.

Para reagir a este panorama soturno, certo dia um certo rapaz permitiu que suas ideias bailassem embevecidas, imaginando seus tímpanos vibrarem aos melodiosos tilintares de uma composição de Stravinski. Em seguida, deixou que a imagem da Rosa, de Pixinguinha – por Deus esculturada… formada numa tela deslumbrante e bela… – ilustrasse o seu sonhar.

E assim, com o pensamento a navegar por um salão imaginário, entendeu que se algum dia a flor de seus sonhos o desafiasse a um pas-de-deux, imediatamente sua cabeça dançaria valsa enquanto seu coração se arriscaria em jazz.