sobre doenças neurológicas e a vacinação

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Você já se perguntou se haveria mesmo a necessidade de vacinar seu familiar acamado por acidente vascular cerebral (AVC)? Ou se seu filho portador de Epilepsia não teria a sua doença descompensada pela aplicação da vacina contra COVID-19? Doenças neurológicas, no geral, são condições debilitantes que fragilizam o paciente. E, muitas vezes podem gerar dúvidas sobre a aplicação da vacina nesses pacientes.
Com o grande número de informações que chegam até você nos dias de hoje, via internet, mídias sociais e WhatsApp é normal haver uma certa confusão e até mesmo dúvida sobre saber exatamente o que é o melhor a ser feito. Acontece que, circulam nessas redes, muitas informações falsas ou parciais sobre o funcionamento da vacina. E, é por isso que a conversa de hoje será sobre quais os casos e as condições neurológicas necessárias para a vacina contra COVID-19 ser realizada, baseado nos conhecimentos atuais, seus possíveis riscos e potenciais complicações da vacina contra o SARS-CoV-2 em pessoas portadoras de doenças neurológicas.
Devemos lembrar que o Brasil é o segundo país tanto em número de casos de infecção pelo novo Coronavírus, o SARS-CoV-2, quanto em número de óbitos atribuídos à doença associada a este vírus, a COVID-19.
Desde o início da pandemia, a comunidade científica neurológica preocupa-se com os possíveis efeitos da infecção no sistema nervoso. Ao longo destes 14 meses de pandemia, diversas manifestações neurológicas já foram associadas ao SARS-CoV-2.
Não há qualquer indício, no presente momento, de que doenças neurológicas sejam contraindicação para a utilização das vacinas atualmente disponibilizadas. Também, não há qualquer normativa por parte das autoridades em relação à priorização de pacientes neurológicos na fila de vacinação, devendo-se aguardar sua vacinação segundo a faixa etária de cada paciente.
Incluem-se dentre as doenças neurológicas as neurodegenerativas, vasculares, infecciosas, imunomediadas, carenciais, epilepsia, transtornos do sono, síndromes álgicas como a cefaleia e a fibromialgia, as síndromes vestibulares e as herdadas geneticamente, entre as mais comuns. Isso significa que, a ampla maioria das condições neurológicas como AVC, Alzheimer, outros tipos de demência, epilepsia, esclerose múltipla, enxaqueca, síndromes complexas dolorosas regionais, neuropatia por herpes zoster, outras neuropatias periféricas – não contra indicam a vacinação.
Existe possíveis efeitos colaterais associados às vacinas aprovadas como por exemplo febre baixa, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas, vermelhidão no local de aplicação da vacina e dor local. Deve-se lembrar que esses são os possíveis efeitos colaterais, porém, a grande maioria das pessoas não desenvolvem nenhum desses sintomas ou os apresentam de forma branda e autolimitada.
A febre, que pode ocorrer depois da vacinação pode, em alguns casos, facilitar o aparecimento de crises epilépticas nos pacientes que possuem esse diagnóstico, motivo pelo qual é recomendado o uso de antitérmico caso haja aparecimento de febre ou uma segunda opção seria o uso regular de antitérmicos durante as 48 horas após a vacinação.
Os tipos de vacina atualmente disponíveis não possuem chance de replicação de vírus, já que são compostas por partículas virais e não o vírus por inteiro (Sonovac e AstraZeneca). Por esse motivo essas vacinas são consideradas seguras para uso em pacientes imunossuprimidos, não sendo necessário a suspensão ou modificação do tratamento desses pacientes. A comunidade neurológica também sugere para que pacientes em esquema de tratamento de imunossupressão com Rituximab realize um intervalo da última aplicação da medicação de 3 meses para a aplicação da vacina.
Não se sabe se o tratamento imunossupressão poderia reduzir a eficácia da vacina, portanto, após a vacinação, os cuidados de uso de máscara e distanciamento social devem ser mantidos. Não é indicado o uso de vacinas a base de vírus vivo atenuado, caso elas venham a ser aprovadas no futuro por alguma agência reguladora para pacientes neurológicos em tratamento imunossupressor.
Não existe, até o momento, nenhuma evidência de que a vacinação seja contraindicada em pacientes que tiveram doenças neuroimunológicas agudas no passado por exemplos: síndrome de Guillain-Barré, mielite, encefalite.
Por fim, é importante ressaltar que a maioria das vacinas foram testadas em pacientes acima de 18 anos de idade, porém não em gestantes. Neste grupo, não houve nenhuma evidência de efeitos colaterais para a gestante ou para o feto quando a vacina foi utilizada antes de que a gestação tivesse sido reconhecida.

Taimara Zimath | Neurologista

Neurologista▪️Neurologista
▪️CRM/SC 21.497 | RQE/SC 18.708