SC amplia participação no ranking nacional da construção civil

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Desempenho do estado reflete bom cenário na região, com abertura de novas empresas e aumento de contratações

Relatório da pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), divulgado pelo IBGE na quinta-feira, mostra a recuperação do setor em Santa Catarina, com maior participação nacional das empresas catarinenses, alta na movimentação financeira e aumento de novas empresas atuando no setor. Representantes da construção civil destacam que o desempenho se reflete na região, que tem polo da cadeia construtiva liderado por Balneário Camboriú, Itapema e Itajaí. O estudo do IBGE traz dados consolidados até 2019. Para Santa Catarina, a pesquisa aponta que o valor das incorporações, obras e serviços cresceu 8,5%, movimentando R$ 12,7 bilhões, cerca de R$ 1 bilhão a mais que 2018. Foi o 7ª melhor resultado nacional do estado, representando uma recuperação do setor em relação ao recuo registrado de 2017 para 2018, quando houve queda de R$ 13,9 bilhões para R$ 11,7 bilhões na movimentação gerada pela construção.

Na comparação com 2010, no início da série histórica, a economia do setor em 2019 cresceu 39,5% (R$ 3,6 bilhões a mais). A participação catarinense no total nacional passou de 4,7% em 2018 para 4,9% em 2019, somando mais de um ponto em relação ao índice de 3,7% em 2010.

O desempenho de Santa Catarina colocou a região sul como a única do país com aumento de participação entre 2010 e 2019, passando de 12,5% pra 18% do total nacional no período, o que representa cerca de R$ 16 bilhões gerados a mais na economia. Apenas a região sudeste, puxada pelas construções no estado de São Paulo, fica à frente do sul.

A pesquisa também mostra que aumentou o número de empresas atuando na indústria da construção. A alta foi de 6% no estado, com 269 novas empresas, em relação a 2018. Se levado em conta a comparação com a situação em 2010, o incremento é de 49%, representando a chegada de 1564 novas empresas na década.

O percentual é o segundo maior do país, com apenas o estado do Ceará na frente. Conforme o relatório, 4747 empresas da construção atuavam em Santa Catarina em 2019, sendo o 5º estado com maior total no país. Apenas 304 das empresas não eram sediadas no estado.

Em termos de ocupação, os dados do IBGE mostram que as empresas catarinenses do setor construtivo empregavam quase 90 mil pessoas em 2019, colocando o estado na 7ª posição no ranking nacional. A alta nas contratações foi de 10,7% em relação a 2018, sendo o segundo maior aumento no país, com 3580 pessoas a mais trabalhando na área.

O crescimento ganha ainda mais importância na comparação com anos anteriores, em que o estado enfrentou quatro quedas consecutivas entre 2014 e 2018. A remuneração nas empresas do setor também cresceu no estado, com alta de 6,8% (R$ 160 milhões a mais) em 2019, na contramão do cenário nacional, com queda de salários em 12 estados.

No total de salários e outras remunerações, foram pagos R$ 2,5 bilhões no ano. Desde 2010, segundo o levantamento, houve alta de 85,6% nos valores pagos pelas empresas, sendo o maior índice no país no período. A média salarial no setor em Santa Catarina é de 2,2 salários mínimos, com desvalorização em relação a 2018 e abaixo da média do país, de 2,4 salários mínimos.

Novas empresas e bombada em serviços

O presidente do sindicato da Construção Civil de Balneário Camboriú, Nelson Nitz, destaca que o setor é que o mais traz investimentos para a cidade, mas está diretamente ligado a outras atividades como o turismo e serviços.

A entidade do segmento reúne hoje cerca de 100 empresas, incluindo desde os grandes construtores até profissionais, como engenheiros, e empresas prestadoras de serviços. Nitz considera que o setor conseguiu manter o cronograma das construções e as vendas mesmo durante a pandemia.

“Paramos por pouco tempo e depois conseguimos manter nossas atividades com os protocolos de segurança”, observa. As construções dos empreendimentos são motivadas por quem quer morar ou investir na cidade, considerando a variedade de serviços e atrações disponíveis.

“Balneário Camboriú tem um situação ímpar, que é difícil comparar. Hoje vendemos de 30% a 40% dos imóveis no lançamento. A nossa região, por excelência, tem liquidez no investimento”, comenta, ressaltando a importância do setor.

Na região da Foz do Rio Itajaí, Balneário lidera o número de empresas e empregados da indústria da construção, com mais de sete mil trabalhadores e 641 empresas, 42% delas de pequeno porte. Itapema vem em seguida, com 5312 empregados de 554 empresas, e Itajaí em terceiro, com quase 4 mil trabalhadores de 494 empresas.

Os dados são do Observatório da Fiesc para 2019. A participação de Itajaí no setor vem aumentando nos últimos anos. Entre 2018 e 2019, o setor teve saldo de quase 500 novos trabalhadores e recebeu quatro novas empresas. Balneário também ampliou o número de empresas, com 42 novos estabelecimentos no período e mais de duas mil contratações.

FONTE - DIARINHO