O que já se sabe sobre o Coronavírus no sistema nervoso?

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Após 1 ano e 4 meses do início da contaminação comunitária pelo SARSCOV II no Brasil ainda há muito o que compreender sobre a capacidade viral de se adaptar e atacar o nosso organismo.  Trago aqui algumas informações importantes para que você entenda um pouco mais sobre as manifestações neurológicas desta temida doença.

O seu sistema nervoso é composto pelo cérebro, pela medula e por prolongamentos de neurônios que se agrupam e saem da medula na forma de nervos. Estes por sua vez, dividem-se em centenas de pequenos ramos responsáveis pela inervação de todo o nosso corpo gerando desde a percepção dolorosa, térmica e pressórica, até a percepção de estímulos das partes do corpo no espaço.

Hoje, sabe-se que existem sete tipos diferentes de coronavírus humanos e cada um deles é capaz de causar manifestações no sistema nervoso. O SARSCOV II, em especial, consegue alcançar as estruturas nervosas através de duas diferentes entradas e por isso as alterações neurológicas tem sido tão frequentes.

A perda do olfato conhecida pelo termo médico de anosmia é uma das manifestações neurológicas mais comuns. Ela acontece pelo processo inflamatório ocasionado na presença do vírus ao redor do nervo olfatório. Ainda não há comprovação que o vírus lesione diretamente o nervo olfatório, mas, já se sabe que ele invade as células que ficam ao redor e que dão sustentação ao nervo olfatório gerando uma inflamação local, com edema e consequente perda do olfato. Na maioria das pessoas a perda do olfato ocorre de forma transitória. Enquanto há a inflamação o olfato fica comprometido, quando a inflamação e o edema reduzem o olfato melhora. Infelizmente, há uma parcela pequena de pessoas que não se recupera e fica com alterações na percepção olfatória de forma definitiva. Segundo algumas pesquisas, isso ocorre porque o edema ao redor do nervo olfatório nessas pessoas foi tão intenso a pondo de causar dano irreversível ao nervo responsável pela percepção do olfato.

Encefalopatia é outra importante alteração neurológica que tem acontecido com bastante frequência. Encefalopatia é o termo técnico que se emprega para definir o período da infecção em que há confusão mental, desorientação e muitas vezes agitação. É especialmente comum entre pacientes graves e em ambiente hospitalar. Um terço dos pacientes que internam devido a infecção por coronavírus desenvolvem essa alteração – o que aumenta o tempo de permanência hospitalar em até três vezes.

Enquanto a encefalopatia é mais comum em pacientes idosos outras alterações neurológicas são mais frequentemente em pacientes jovens, sendo a faixa etária dos 30 aos 40 anos a mais acometida. Um recente estudo sobre o tema apontou que 37% dos pacientes jovens manifestavam dor de cabeça e outros 30% tontura de forma persistentes.

Polineuropatia é a inflamação das raízes de dois ou mais nervos periféricos e isso também tem ocorrido com alguma frequência na infecção por COVID. Polineuropatia pode manifestar-se com diversas alterações a depender do nervo acometido. Comumente observa-se dificuldade para caminhar, dormências persistentes, áreas de anestesia cutânea, alterações na movimentação dos olhos ou uma combinação de todos esses sintomas.

Como você percebe, amigo leitor, o assunto se estende e muito! Por hoje quero que você entenda que as manifestações acima listadas são algumas das mais frequentes alterações neurológicas do COVID-19 e que não compreendem a síndrome pós covid. Sobre a síndrome pós covid conversaremos nas próximas semanas. Portanto, continue se cuidando. Não tema tanto a vacinação, a doença em si causam muito mais danos. Vamos nos proteger! E até a próxima.

Dra Taimara Zimath – Neurologista

CRM 21 497 RQE 18708