O que está por trás da convocação de Luciano Hang pela CPI da Covid

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Um dos empresários mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro, o catarinense Luciano Hang entrou na lista de convocados pela CPI da Covid nesta quarta-feira (30). No requerimento, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão, classificou o depoimento de Hang como “imperioso e imprescindível”. Por trás da convocação estão duas frentes de investigação da CPI da Covid, com focos diferentes. A primeira, e mais recente delas, é a negociação para compra da vacina chinesa CanSino. Hang e Carlos Wizard tentaram viabilizar a importação privada de doses da Covidencia, a vacina produzida pela CanSino. Na época, fizeram campanha para flexibilizar a compra de imunizantes pela iniciativa privada, pedindo que o Congresso Nacional alterasse a previsão de que 100% das vacinas adquiridas tivessem que ser doadas ao Ministério da Saúde, para o Plano Nacional de Imunização.

Parceria farmacêutica

O movimento contava com o empresário paranaense Emanuel Catori, diretor-presidente da Belcher Farmacêutica. A importação privada, pretendida por Hang e Wizard, não vingou. Mas a CPI está interessada na atuação da Belcher em uma negociação do Ministério da Saúde com a CanSino.

A empresa farmacêutica teria intermediado um contrato de R$ 5 bilhões com o governo, para compra de 60 milhões de doses. O preço, de US$ 17 a dose, é o mais alto entre todas as vacinas adquiridas pelo Brasil. A carta de intenção do Ministério da Saúde com a Belcher foi assinada em junho, mas o contrato ainda não foi efetivado.

Questionário

As perguntas feitas pelo senador Renan Calheiros a Carlos Wizard, nesta quarta-feira, indicam que questionamentos devem ser apresentados a Luciano Hang. O relator da CPI quis saber, entre outras questões, se há relações comerciais entre os empresários, se eles participaram do pedido de uso da vacina da CanSino à Anvisa, e sobre a relação com a Belcher Farmacêutica.

O outro foco dos questionamentos a Luciano Hang deverá ser a defesa que o empresário sempre fez do tratamento precoce e do uso de medicamentos como a cloroquina. A CPI quer saber se o catarinense ajudou a financiar desinformação e propagação de fake news durante a pandemia.

Fala ou não fala?

Diante do silencio de Carlos Wizard, que se recusou a responder aos questionamentos dos senadores na CPI da Covid, surgiram dúvidas sobre a postura que Luciano Hang poderá adotar. Assim como Wizard, Hang pode recorrer ao STF para ter garantido o direito de permanecer em silêncio.

A tendência, no entanto, é que o empresário catarinense use os holofotes da CPI para defender o governo e criticar a oposição, como faz nas redes sociais.

Em nota, o empresário Luciano Hang disse que receberá a convocação com tranquilidade: “Estou à disposição para qualquer esclarecimento. Nada melhor do que a verdade para elucidar os fatos”, escreveu.

TEXTO - Dagmara Spautz NSC