NAVEGAÇÕES PELO DESCONHECIDO…….

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TEXTO – LUIS BOGO COLUNISTA / ESCRITOR E POETA

Insegurança e receio são sentimentos naturais que enfrentamos com frequência, especialmente quando nos defrontamos com situações inéditas, desconhecidas; situações que nos deixam em dúvida com relação ao que dizer, que rumo ou direção tomar, trazendo-nos a incômoda incerteza quanto às consequências de nossas palavras ou gestos.

Muitas vezes, este receio se agiganta: transforma-se no medo que nos gela por dentro e nos paralisa por fora, levando-nos a desconfiar de novas oportunidades; a evitar relacionamentos com novas pessoas ou a aprofundar uma relação com alguém já conhecido mas, com quem, por razões insondáveis, não ousamos proposta de maior intimidade, simplesmente pelo temor da rejeição ou do fracasso.

O medo do desconhecido é o grande inimigo das grandes descobertas, em todos tempos e em todos os sentidos. Se preponderasse o medo, as naus espanholas e portuguesas não teriam chegado às Índias e às Américas; não teriam transformado o Cabo da Tormenta em Cabo da Boa Esperança. E, como escreveu Beto Guedes, em canção magistralmente interpretada por Elis Regina, “o medo de amar é o medo de ser livre para o que der vier, livre para sempre estar onde o justo estiver”.

A grande “covardia” das coisas desconhecidas é nos impingir o medo. Na medida em que desbravamos e enfrentamos o desconhecido, damos asas aos anjos da ousadia, tornando-nos capazes de penetrar o túnel mais escuro, como fez o Coelho que levou Alice ao País das Maravilhas, fazendo-lhe passar por uma fase de descobertas e adentrar em portas que a levaram a vários lugares pelos quais nem imaginaria passar, mas que a tornaram mais sábia e mais feliz, embora novas dúvidas e receios passassem a lhe habitar o pensamento sem paralisá-la, entretanto.

A lição é que eu sou meu próprio tempo e algum dia vou-me esgotar como a areia da ampulheta. Não haverá mão capaz de virar o meu tempo do avesso e fazê-lo retornar a mim, para em seguida se esvair novamente. Por isso, é preciso aproveitar cada grão que me escorre entre o primeiro e o segundo badalar dos sinos.

A vida não é uma coisa, não é uma entidade. Em si mesma, não faria o menor sentido. E é por isso que devemos enfrentá-la, atribuindo-lhe este sentido próprio, mesmo que para tanto precisemos nos aventurar por mares nunca dantes navegados, caminhar por novos caminhos “de frutas e passarinhos” sem medo ou pudor; e de nos embrenhar em túneis e labirintos nos quais serão testados os nossos limites de coragem e adaptação, mas onde podem habitar os mistérios mais doces e as melhores recompensas.

Uma nova toca pode gerar medo, mas é preciso adentrá-la para saber como ela é ou onde vai sair.

Para fazer sentido, o ato de viver deve ser corajoso e nos fazer refletir que toda nova toca é um mundo repleto de possibilidades e aberto a descobertas: jamais uma mina improdutiva que possa ser desprezada. Entre sem bater.

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