MENTIRAS INCENDEIAM O PREÇO DA GASOLINA

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TEXTO – LUIS BOGO

É triste e extremamente desagradável viver numa época em que qualquer informação precise ser checada em diversas fontes para que não sejamos induzidos a erros que nos provoquem prejuízos de toda ordem, não apenas financeiros. É muito triste quando chegamos ao ponto de não mais confiarmos naqueles aos quais outorgamos autoridade através do voto, pois alguns deles parecem ter um prazer quase orgástico de continuar enganando os outros após eleitos, posto que já os enganaram antes com falsas promessas de campanha.

Talvez se sintam éticos agindo assim, pois se foram desonestos antes da eleição, porque haveriam de tornar-se exemplos de dignidade depois da posse, quando se transformam em médicos que jamais teriam capacidade de ser (e, então, passam a receitar vermífugos para combater calvície, por exemplo); tornam-se em paisagistas capazes de transformar florestas em sertão; economistas que patrocinam novas corridas ao ouro enquanto fuzilam a caminhada da maioria que busca seu feijão de cada dia; e em gestores que preconizam a desarmonia entre os setores produtivos e aqueles que os financiam, sacrificando a potencial massa consumidora; sem contar que apostam na deseducação e no obscurantismo para transferirem a terceiros as marcas das suas próprias inabilidades, imprecauções e incompetências.

O último exemplo que tivemos a respeito deste comportamento irresponsável aconteceu na semana passada, quando a esfera federal de poder tentou transferir aos Estados a responsabilidade pelo salto no preço dos combustíveis, alegando que a culpa pelo aumento da gasolina seria por conta do ICMS, um imposto estadual. Isto é MENTIRA; pois, embora este imposto componha o preço final do combustível, sua alíquota não sofreu reajuste nos últimos meses, enquanto nas refinarias o preço da gasolina aumentou 51% de janeiro até agora.

Importante lembrar que o preço praticado pela Petrobrás acompanha as cotações do petróleo no mercado internacional, sobre o qual governadores estaduais não têm o menor controle. Estes, também, não têm a menor ingerência na política cambial, responsabilidade do governo federal.

Assim, o que gerou uma desenfreada corrida de consumidores aos postos de combustíveis nos últimos dias foi uma sucessão de mentiras deslavadas e de insinuações irresponsáveis que incentivaram grupos radicais a tentarem criar um ambiente social propício à balbúrdia, adequado a justificar posturas incompatíveis com a democracia e seus maiores bens. Pior: esses grupos adotaram a postura cínica e sofista de se arvorarem a defender exatamente o que buscam destruir: a Liberdade, tanto de expressão, quanto de pensamento ou a de ir e vir.

Por contraditório que pareça, a pressão para que cessasse o movimento provocador deste início de desabastecimento veio do agronegócio. Para este setor econômico, pouco importa o preço do dólar ou do petróleo. Aos grandes produtores, nunca faltará mercado ao milho, à soja ou ao frango brasileiro. E se o dólar for às alturas, o faturamento deles irá na mesma medida, pois é nesta moeda que negociam e lucram.

Sofre mais, numa condição de insegurança econômica e política, aquele que produz apenas para o mercado interno, onde a comercialização não é realizada em dólar, mas em Real, moeda única para o assalariado brasileiro. Ou melhor, para o assalariado brasileiro que ainda tem um emprego.