Insatisfeitos com a Reforma da Previdência, policiais civis e penais protestam

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A nota foi encaminhada pelo delegado da comarca de Timbó Dr. André Backmann

Unidades da polícia civil de Timbó, Benedito Novo, Doutor Pedrinho e Rio dos Cedros vão aderir ao movimento ‘SEGURANÇA PÚBLICA EM ALERTA

No mês de Junho de 2021, a Polícia Civil já conta com 8 prisões realizadas na Comarca de Timbó, sendo a que mais tem prisões na 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil até o presente momento, no aludido mês. 

É importante destacar que a Comarca de Timbó não conta com setor de investigação, em razão da falta do efetivo necessário, motivo pelo qual é certo considerar que as prisões são fruto de trabalho extraordinário (para além do expediente normal), sem qualquer contrapartida do Estado de Santa Catarina (e os policiais não cobram nada por isso).

Esse é apenas um ponto de uma série de dificuldades que a Polícia Civil enfrenta diariamente para realizar operações, prisões e ainda manter o atendimento da população e das prisões em flagrantes durante o plantão policial.

Apesar disso, o Governo do Estado de Santa Catarina apresentou um projeto de previdência que desconsidera totalmente não apenas o caráter especial das atividades de segurança pública – notadamente em razão do rotineiro risco à vida do servidor público –, mas também o fato de que hoje Santa Catarina apresenta os mais baixos índices de criminalidade desde que a estatística criminal começou a ser realizada.

O mérito pelos resultados da segurança pública é da ação conjunta da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Penal e do IGP. Entretanto, apenas a Polícia Militar obteve condições justas de aposentadoria. As demais instituições, que são parte fundamental da segurança pública, também merecem tratamento justo.

A reforma da previdência apresentada pelo Governo afirma que existe um rombo nas contas públicas. Ocorre que a Polícia Civil, a Polícia Penal e o IGP, que contribuem com a previdência em 14% das suas remunerações, apresentam superávit, isto é, os servidores da ativa pagam pela aposentadoria dos inativos e ainda sobra dinheiro para o Governo gastar com outros setores, que são os verdadeiros deficitários. É mais uma injustiça.

O Governo apresentou proposta em que o policial deverá trabalhar 40 anos para ter uma aposentadoria minimamente digna

“. É justo o policial a trabalhar em média até seus 65-70 anos? É justo obrigar um policial penal a permanecer nos presídios até em média 65-70 anos? É justo obrigar os servidores do IGP a atender locais de homicídio, entre outras várias funções, essa média de idade? Entendemos que não, notadamente porque o Policial Militar se aposenta em média aos 55 anos”, destaca a nota enviada pelo delegado

Na nota, a polícia civil  ressalta que o tratamento dispensado à Polícia Militar é justo e merecido. Reiteramos que esse tratamento também deve ser dispensado aos demais órgãos da segurança pública.

Por todo o exposto, as unidades policiais de Timbó, Benedito Novo, Doutor Pedrinho e Rio dos Cedros vão aderir ao movimento “SEGURANÇA PÚBLICA EM ALERTA”, oportunidade em que serão tomadas as seguintes providências:

1) devolução de coletes e algemas,

2) operação padrão, com realização unicamente de atividades internas,

3) não realização de operação policial.

Contamos com a compreensão da população e esperamos que o Governo do Estado se sensibilize com a situação que se apresenta.

Importante esclarecer que o atendimento ao público não está suspenso, notadamente com relação aos casos mais graves e de violência doméstica contra a mulher.

TEXTO -CULTURA FM