Indaial disponibiliza serviço de saúde para tratamento de usuários de álcool e outras drogas

Spread the love

A dependência química é uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que consiste nas consequências físicas e mentais trazidas pelo abuso de substâncias nocivas ao organismo, como o álcool, a nicotina, a maconha, a cocaína, o crack, entre outras.

Em Indaial, usuários dependentes e seus familiares podem procurar ajuda no Centro de Atenção Psicossocial. O Caps é um espaço ofertado pela Secretaria de Saúde voltado para o tratamento gratuito pelo SUS desses pacientes e sua reinserção familiar, social e comunitária.

Atualmente o Centro atende em média 250 usuários por mês com uso nocivo/abusivo de álcool e outras drogas. A orientação é de que o usuário ou familiar procure o Centro para as devidas orientações através do telefone (47) 3333-4431. “Em até 48 horas após o contato iniciamos o processo de acolhimento do paciente”, diz a enfermeira e coordenadora do Centro, Dulcinéia Ozelame de Souza.

Para a psicóloga do Caps, Juliana Zandoná, muitas vezes o usuário não percebe que está se tornando dependente e acredita estar no controle da situação. “Ele aumenta a quantidade e a frequência do uso. Passa a utilizar a droga não mais pelo prazer, e sim para aliviar o desconforto e o desprazer causado pela falta”, diz.

É preciso tratar a dependência química e psicológica

Ao interromper o consumo, segundo Juliana, a ausência dessas substâncias causa uma reação de desequilíbrio no funcionamento do cérebro. “Então surgem sintomas como irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração ou raciocínio, humor deprimido, desempenho prejudicado. A abstinência deixa o indivíduo em extremo sofrimento físico e psíquico, muitas vezes insuportável, podendo levá-lo ao ciclo repetitivo do uso compulsivo”, ressalta.

Para que o dependente químico consiga suportar e se manter em abstinência existem medicamentos e abordagens de apoio apropriados, que ajudarão a cortar esse ciclo sem que seu cérebro e o restante do organismo entre em colapso, evitando o risco e o sofrimento extremo.

“Quando falamos de dependência química, não é vontade fraca ou falta de caráter, trata-se de uma enfermidade médica crônica, ou seja, uma doença na qual se produzem alterações no circuito cerebral, uma situação clínica que precisa se tratada. Críticas, punições, julgamentos não irão melhorar os sintomas de abstinência e nem as demais causas psicossociais da dependência”, ressalta Juliana.

Tratando a dependência psicológica

De nada adianta tratar os fatores clínicos e a desintoxicação, se não tratarmos as causas. O sofrimento psíquico, muitas vezes, é o gatilho que leva ao uso. Em muitos casos a utilização de substâncias psicoativas (álcool e outras drogas) ocupam uma função na vida do sujeito, de fuga da realidade.

“O tratamento consiste em ajudar o indivíduo a identificar seus sentimentos conflitantes, descobrindo novas formas de lidar com suas emoções, que não pelo uso de substâncias. Alguns transtornos psicológicos como, por exemplo, a depressão e a ansiedade podem estar associados às causas da dependência química. Por isso a importância do acompanhamento com profissionais qualificados, visando um tratamento mais amplo”, detalha a psicóloga do Caps.

A coordenadora do Centro, Dulcinéia, complementa que o tratamento deve visar todo o aspecto global do paciente, visto que a dependência possui causas biopsicossociais. “São muitos os fatores que contribuem para que ela se instale. Entre elas estão hereditariedade, baixa autoestima, depressão, ansiedade, transtornos psiquiátricos, ambiente familiar conflituoso, influências sociais e culturais”, comenta.

O objetivo é estabelecer com o paciente uma relação pautada na confiança e no vínculo terapêutico. “Através de uma escuta qualificada, construímos com ele, a partir de suas necessidades, o modo como será conduzido seu tratamento”, explicam as profissionais do Centro.

Pessoas com transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas (álcool e outras drogas) podem se inserir em diferentes modalidades de tratamento, a depender de cada caso. Na maioria deles, o tratamento é realizado de modo ambulatorial, sem que seja preciso internação. Avaliando-se a necessidade, a equipe de saúde preconiza pelas internações de curto prazo (até sete dias), no próprio Hospital Beatriz Ramos. Depois o paciente retorna para dar continuidade ao tratamento no Caps, podendo também optar pela continuidade ao tratamento na Unidade Básica.

Através de uma equipe multiprofissional (psicólogos, assistente social, psiquiatra, técnicos de enfermagem, enfermeiros, nutricionista, terapeuta ocupacional) são disponibilizados diferentes cuidados para variadas necessidades: acolhimento; atendimentos individuais, em grupos e familiares; oficinas terapêuticas.

“A proposta é de que haja um cuidado compartilhado entre o Caps e a Unidade Básica de Saúde. Dependendo do caso pode envolver outros segmentos de cuidado da rede de atenção psicossocial como o Hospital, o Samu e os Centros de Assistência Social”, explica Dulcinéia.

A coordenadora conta que, além do tratamento da dependência realizado por profissional da saúde, outras estratégias de prevenção também são adotados pelo Caps como ações para evitar ou retardar a experimentação de drogas – prevenção primária – e ainda atividades focadas em indivíduos que já experimentaram, mas não evoluíram para dependência – prevenção secundária.

TEXTO - SECOM INDAIAL