FAMÍLIA: O SINGULAR VALOR DO PLURAL

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TEXTO – LUIS BOGO

Antes de mais nada – e a fim de evitar controvérsias ou mesmo um divórcio entre mim e os meus leitores –, quero deixar claro que família não é sinônimo de casamento. Os formatos das famílias se alteraram ao longo das últimas décadas, e hoje já não são maioria aquelas que seguem o padrão tradicional que vigorou até aproximadamente 1950, quando eram basicamente formadas por pai e mãe legalmente casados e por seus filhos, descendentes biológicos.

Embora as sementes para mudanças comportamentais tenham sido timidamente plantadas em meados dos anos 1950, com  a euforia pela recuperação econômica pós-II Guerra e o advento de Elvis Presley e da literatura beatnik deJack Kerouack e Allen Ginsberg, que assumiam comportamentos pessoais fora dos padrões burgueses dominantes, foi a partir dos anos 1960, com as chegadas das pílulas anticoncepcionais, da minissaia e das primeiras conquistas importantes das mulheres (que começaram a reivindicar as justas condições de igualdade nos mercados de trabalho), que os modelos familiares começaram a ser transformados de maneiras mais sensíveis à sociedade. Depois disso, aqui no Brasil, houve a aprovação da Lei do divórcio, em 1977, aprimorada em legislações subsequentes.

Todos esses fatores, embora tenham tido efeito e impacto imediato na construção de novos modelos, com o surgimento de famílias formadas por pais já divorciados uma ou mais vezes, ou por “mães-solo” – que resolveram assumir a maternidade, mas não o casamento; pais que resolveram continuar casados e dividir a educação dos filhos, mas morando em casas separadas; casais com um ou mais filhos adotados, legalmente ou ‘driblando a lei’; entre diversas outras modalidades de lares, o fato é que já está provado que outros modelos de associações familiares são possíveis, sem que isto desvalorize os que ainda prezam a familia tradicional.

De acordo com a psicóloga Ceneide Maria de Oliveira Cerveny, autora de “A Família como Modelo – Desconstruindo a Patologia”, da Editora Livro Pleno, “o que faz mal à criança, de fato, é um lar com brigas, agressões e falta de respeito”.

Devemos ter claro – e para isto basta uma rápida observação ao nosso redor – que dar à luz ou colaborar geneticamente para trazer uma vida ao mundo não transforma ninguém em pai ou mãe e, portanto, não é o único princípio a definir o que seria uma família.

O Direito considera membros da família apenas as pessoas unidas por relação conjugal ou de parentesco. De acordo com a Sociologia, a família representa uma agregação de indivíduos unidos por laços afetivos ou de parentesco, na qual os adultos são responsáveis pelas crianças. É considerada a primeira instituição responsável pela socialização dos indivíduos. De acordo com a Constituição Brasileira, “Para efeito de proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.

Porém, independentemente de seguir ou não padrões matriarcais, patriarcais, um núcleo familiar deve ser o lugar onde todos se sintam acolhidos, amados e respeitados. A composição de seus membros é o que menos importa, desde que haja o pressuposto de responsabilidade de formação da criança e do adolescente e um ambiente de paz e harmonia.