Entrevista exclusiva com Jorge Luiz Stolf

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O Prefeito falou abertamente sobre projetos de governo que já estão em andamento, perspectivas econômicas para os próximos anos de mandato, infraestrutura, saúde, educação e a tradicional Festa Trentina.

O município de Rio dos Cedros tem se tornado um canteiro de obras nos últimos meses com o governo do prefeito eleito Jorge Luiz Stolf chegando aos 180 dias, são os seis primeiros meses do gestor como líder do executivo da cidade que completa em 2021, 60 anos de emancipação político administrativa.

A nossa equipe esteve no gabinete do Prefeito na tarde do dia 06/07 e em entrevista descontraída o prefeito falou sobre o projeto de lei que irá viabilizar a obra de pavimentação da Rua 1° de Maio e sobre as demais obras que acontecem simultaneamente no município; das cobranças feitas à Celesc em prol de melhorias no fornecimento de energia elétrica na região dos Lagos, falou também sobre projetos na área de saúde e educação que já estão em andamento e do programa de incentivo aos empreendedores da região visando um crescimento econômico focado no turismo. A entrevista completa você ouve no primeiro episódio do “Médio Vale Em Foco”, o Podcast de notícias do Médio Vale do Itajaí.

Médio vale em foco: Os moradores e quem visita a cidade pôde perceber mudanças e obras ainda em andamento em vários pontos da cidade. A infraestrutura foi um dos principais tópicos de campanha, no último dia 05/07 o legislativo aprovou o projeto de lei que autoriza o executivo a contratar operação de crédito para a pavimentação asfáltica da Rua Primeiro de Maio. Quais trechos serão beneficiados e qual o prazo de conclusão dessas obras?

Jorge: A nossa proposta de governo, ela foi bastante clara no que se referia a educação e saúde que são sempre as prioridades, mas que principalmente nosso mandato seria bastante focado na questão de obras e infraestrutura. Então nós começamos o ano fazendo uma pavimentação que foi, mesmo que em regime de mutirão, foi na Rua Guilherme Marquardt. Foi o primeiro trecho de asfalto que a gente fez agora no nosso mandato, foi um trecho de aproximadamente 700 metros lineares de pista, houve um investimento por parte da prefeitura de quase R$ 1 milhão e a contrapartida dos moradores, então, é uma obra que facilmente atingiria R$ 1,5 milhão, essa foi a nossa primeira obra, uma das.

 Nós temos também ocorrendo no município um trecho de calçadas de passeio que está sendo feita aqui na 1° de Maio, que é uma verba inclusive que veio do governo do estado com contrapartida do município, mas foi um recurso que foi levantado do fundo social que foi o deputado Jerry Comper junto com o vereador Altair Lenzi, foi uma indicação dele. Foi investido aí algo próximo de R$ 200 mil de recursos estaduais e mais algo em torno de R$ 50 e 100 mil do município, nós estamos concluindo um trecho de pavimentação asfáltica que compreende um trecho da Avenida Tiradentes no entroncamento com a Rua Amazonas onde deverá sair uma rotatória de acesso, um trecho onde foi removida a pavimentação de pedra, o paralelepípedo, que está sendo relocado em uma outra obra e está sendo aplicado o asfalto então. É uma obra que também tem recursos parte da prefeitura e parte recursos próprios, mas que são financiados pelo banco BADESC. Esse paralelepípedo que está sendo retirado aqui da Avenida Tiradentes, ele está sendo relocado aqui para a Rua 7 de Setembro, que é onde temos acesso ao bairro Tiroleses, em Timbó. Vamos pavimentar praticamente todo o trajeto até a divisa, será mais um acesso pavimentado que teremos à Timbó.

 Então, ontem nós tivemos a notícia através da câmara dos vereadores que nós vamos executar um outro grande projeto que deve acontecer ainda esse ano, que é a pavimentação da rua 1° de Maio. O nosso trecho do Cedrinho, como é conhecido popularmente, é um trecho de pouco mais de 2 km, a obra inicia aqui nas imediações da fábrica Maiola Móveis onde acaba o paralelepípedo e vai até a ponte pênsil que é onde fica a divisa com o município de Timbó, então, todo o trecho de Rio dos Cedros dessa estrada do Cedrinho vai ser pavimentado. A gente espera, se o tempo ajuda, e tudo está conspirando para isso, que a gente consiga fazer isso esse ano ainda. Ontem a gente aprovou parte dessa obra que será através do Banco do Brasil, é uma obra de mais ou menos R$ 4,5 a 5 milhões, dos quais R$ 2,6 milhões serão financiados pelo Banco do Brasil e o saldo, então, algo entre R$ 2 e 2,5 milhões será bancado com recursos próprios da prefeitura, queremos entregar essa obra ainda esse ano. Estamos em fase de aprovação do projeto, eu assinei ontem (05/07) a lei tratando da formalização desse empréstimo e nos próximos dias vamos refinar o projeto para ver quais são as etapas que a prefeitura vai executar com serviços próprios e quais são aqueles que vamos licitar, e no máximo em 60 dias é uma obra licitada para a gente começar a obra.

(“...a ideia é a gente trocar a despesa pelo investimento...”)

Médio vale em foco: O senhor mencionou que parte do valor será financiado pelo Banco do Brasil, como e quando será feito o pagamento desse financiamento?

Jorge: Basicamente essa obra da 1° de Maio, toda a obra será paga com recursos do município, mas, parte com recursos que já estão no caixa e parte a gente vai financiar em 84 vezes. O fato é que o estudo que nós fizemos, o custo que essa rodovia, a 1° de Maio, tem hoje para o município com manutenção de irrigação com carro pipa, com patrolamento, com macadamização e com todas as despesas que a gente tem devido à falta de pavimentação por pedra ou asfalto, o custo da manutenção dessa rodovia hoje é em torno de R$ 30 mil por mês, e essa é a parcela que nós vamos pagar no prazo de 72 meses, com um ano de carência pela obra pronta. Então, a ideia é a gente trocar a despesa pelo investimento, uma vez acabado o pagamento do investimento você tem a obra pronta e cessa essa despesa, nesses modos que nós vamos seguir com as nossas obras.

Médio vale em foco: Os trechos que estão sendo priorizados nesse plano de infraestrutura foram definidos visando um crescimento turístico no interior e região dos lagos?

Jorge: Na verdade, o turismo é um dos segmentos do nosso desenvolvimento econômico né, mas você sabe que, quando eu faço uma pavimentação até o interior, eu diria assim, que o turismo é um dos próximos atores do desenvolvimento econômico, ainda não né, o nosso município ainda é muito focado na indústria, nós somos uma cidade basicamente industrial, mas que enxerga a médio e longo prazo uma importância muito grande no turismo e independente da questão turística  ou não, nós temos 40% da população que reside na região serrana, que reside nos interiores. Então, até hoje muito do investimento feito sempre ficou na parte central, e o que acontece, acaba que o interior se não recebe investimento ele é uma despesa, quando você não tem pavimentação no interior, quando você não tem, eu diria assim, infraestrutura para desenvolver o interior, o centro acaba tendo que produzir e bancar a despesa, era o primo pobre até agora. O que que é a ideia do nosso governo em consenso com todos os vereadores e até mesmo com a população? A gente sabe que o interior tem que ser desenvolvido para que ele comece a pagar a própria conta para que ele não seja um peso para o nosso centro, então esse é o plano. A partir do momento que a gente leva o desenvolvimento para o interior ele começa a se autos sustentar e deixa de ser um peso para agir no desenvolvimento econômico somando, desenvolvendo o município.

Médio vale em foco: Em campanha foi feita a promessa de cobrar a Celesc a respeito da má qualidade no fornecimento de energia elétrica na região dos lagos, essa cobrança está sendo feita?

Jorge: A energia elétrica é uma responsabilidade pura e unicamente da Celesc, que tem o monopólio da distribuição aqui no nosso estado, porém, o poder publico tem o dever de cuidar dos seus, de cuidar dos seus municípios. Então, a gente vem fazendo cobranças constantes junto a Celesc, vale lembrar que aqui dentro do nosso município a Celesc é duas empresas, a Celesc Geração e a Celesc Distribuição. Quando a gente fala em Celesc Geração, são as nossas usinas que geram energia elétrica, nós temos duas usinas instaladas aqui, na verdade a Celesc entende que são três, até porque a usina de Palmeiras ela tem uma terceira máquina que é considerada uma nova usina, a usina de Rio Herta, então hoje a Celesc aqui dentro do município ela trabalha com a geração e trabalha com a distribuição. O que que acontece, há aproximadamente 30 dias eu estive conversando com o presidente da Celesc junto com uma comitiva da nossa região, para discutir exatamente melhorias para a região do interior.

A região dos lagos em especial, ela tinha uma situação bastante crítica que era um circuito de alta tensão que é considerado 5K, 5 mil Volts, esse circuito é o um dos únicos em Santa Catarina, porque o normal é que todos os circuitos hoje integrados dentro do estado de Santa Catarina, fora essa nossa região, eles são 25K e a nossa região dos lagos por algum motivo lá no passado, ela ficou. Então é um circuito que você não conseguia ligar com nenhum outro circuito, então hoje, o que foi a grande conquista nos últimos dias que a gente acabou anunciando inclusive, a região dos lagos, provavelmente já no próximo ano, ela vai ganhar um circuito de 25K, de 25 mil Volts. Nós vamos deixar de ser um estranho no meio de tantos outros circuitos de energia elétrica e nós vamos poder interligar o sistema. Isso é um investimento que a Celesc vai ter de mais de R$ 10 milhões, é algo que não está na nossa mão, claro que a gente agiu com o nosso desenvolvimento econômico, politicamente, botamos pressão, é uma briga muito extensa já, que agora por último então, conseguimos convencer o nosso presidente da Celesc a fazer esse investimento. Nós esperamos que para o ano de 2022 nós já tenhamos uma energia de melhor qualidade, porque é uma energia de fato mais consistente, você passa de 5 mil para 25 mil e você consegue interligar com outros circuitos, quer dizer, deu um problema nesse segmento, você isola aquele segmento e todo o resto fica interligado através de outras fontes de alimentação que hoje não tem, hoje você só tem um alimentador, deu problema nele fica toda a região dos lagos sem fornecimento.

Médio vale em foco: Na saúde uma das promessas foi a idealização de uma UBS no bairro Divinéia desafogando o atendimento da unidade do centro que se tornaria uma policlínica, o que já foi feito para a concretização desse projeto?

Jorge: Nós temos quatro unidades básicas de saúde que trabalham em todos os cantos, nós temos quatro ESFs que a gente chama, que são Estratégias de Saúde na Família, nós temos uma ESF no bairro de Rio Rosina, uma em São José que atende a parte central do município, nós temos o ESF do Cruzeiro e o ESF do centro, e o nosso plano inclusive para o próximo ano é que a gente construa mais uma ESF e tirar esse ESF que atende hoje no centro e manter aqui somente a secretaria de saúde  e uma policlínica que a gente tá inclusive fazendo uma ampliação esse ano, e esse ESF, esse posto de saúde que atende Centro e Divinéia vai ser transferido para uma unidade a ser construída no bairro Divinéia, então nós vamos ter além da unidade central que será transformada em Secretaria e Policlínica, nós teremos mais uma unidade no Divinéia que é o bairro que hoje tem a maior população de Rio dos Cedros.

Médio vale em foco: Qual a previsão de conclusão dessa obra no bairro Divinéia?

Jorge: Nós estamos com o planejamento disso para o ano que vem, inclusive nós já temos o espaço, porém.  a gente está aguardando aí um recurso federal que deverá entrar para a gente para que se faça esse investimento, na área da saúde, então, as próximas ações serão essas, incrementar as ações do hospital, construir essa nova unidade básica do bairro Divinéia e transformar a nossa unidade central em uma policlínica.

Médio vale em foco: Com a crise epidemiológica que vivemos, os profissionais da saúde reafirmaram sua importância. Como candidato o senhor propôs a criação de cursos profissionalizantes na área, qual a previsão de início desses cursos?

Jorge: Como a gente vem falando, o nosso hospital é um canteiro de obras constante. Essa semana inclusive eu estive visitando o hospital, e nós fizemos um grande auditório, uma sala de treinamento, fizemos um laboratório com todo o equipamento para o curso de técnico de enfermagem. Nós devemos começar agora em agosto, foi protelado um pouco o início desse curso por conta da pandemia e pelas dificuldades de conseguir mão de obra para implementar o nosso centro de treinamento, mas ele está pronto, está mobiliado, está montado todo o laboratório já com todos os bonecos, esqueletos, tudo aquilo que é necessário. Nós acreditamos que agora está quase que certo de que em agosto começamos as aulas, temos já 60 alunos matriculados, 30 estão indo por um programa que nós fizemos aqui dentro da prefeitura que envolveu a assistência social para pessoas de baixa renda e funcionários da prefeitura, da saúde e da educação que tinham interesse, e 30 vagas foram abertas ao público que inclusive foram tomadas pela própria equipe que trabalha no Hospital Don Bosco. Então, a partir de agosto teremos 60 pessoas cursando o curso de Técnico de Enfermagem que tem duração de 2 anos e é mais uma realização que vai acontecer a partir de agosto.

Médio vale em foco: Estamos avançando na campanha nacional de imunização e com isso vemos algumas regiões planejando eventos e a retomada de agendas culturais visando um gradativo retorno da normalidade. Em Rio dos Cedros, temos previsão de quando será retomada a agenda de comemorações cívicas e culturais?

Jorge: A gente espera que a partir do próximo ano as coisas comecem gradativamente voltar ao normal, não seria responsável começar a planejar eventos agora num momento em que a gente ainda não tem certeza de que todas as variantes do vírus, se a imunização vai funcionar, temos aí a variante Delta agora, a gente não sabe muito ainda, mas ela é muito contagiosa e ela leva muita gente jovem para o hospital. Nós temos uma perspectiva muito grande em relação a imunização, nós acreditamos muito, eu sou um entusiasta da vacina, sempre fui. Acho que o PNI, que é o Plano Nacional de Imunização ele foi mal gerido até agora, mas gora não tem mais para onde correr, está funcionando, eu acho que a saúde, o SUS no Brasil é um instrumento de saúde publica maravilhoso, ele custa caro, mas ele é muito inclusivo, ele dá acesso a todo mundo, ele não elitiza ninguém. É uma das heranças do governo FHC, do nosso ex-ministro na época do Fernando Henrique, o SUS que foi criado a partir da constituição de 88, ele é fantástico, e a gente percebe isso, é claro que houve uma pequena desconstrução, um pequeno boicote pelo governo federal, a gente percebeu né, mas eu acho que agora ficou muito claro para todo mundo a necessidade de se ter um Sistema Único de Saúde que seja inclusivo, que atenda todo mundo sem distinção de classe social, raça e tudo mais.

(“...eu não tenho preocupação nenhuma em relação a eventos, minha preocupação é a saúde...”)

Voltando a sua pergunta, eu não tenho preocupação nenhuma em relação a eventos, minha preocupação é a saúde. Nós tivemos muitas perdas, principalmente as vidas que se foram, hoje nós temos aí 26 pessoas que perderam a vida devido o contágio da Covid, então assim, eu não me sinto confortável ainda para te falar sobre eventos. Eu estive a semana passada com os prefeitos da AMMVI, e está todo mundo assim, o Prefeito Mario não sabe ainda se faz a October esse ano ou não, o Prefeito Ari de  Brusque não sabe se  faz a Fenarreco ou não, eu digo a você, eu não titubearia, eu não faria nada esse ano, não temos certeza nenhuma, então assim, eu acho que não tem mais tempo de organizar um evento que vá acontecer agora em setembro ou outubro, eu espero que no próximo ano a gente possa retomar a festa. Nós temos a nossa Festa Trentina que sempre foi uma festa de muita tradição e eu espero que no próximo ano a gente possa retomar, mas não é uma prioridade, eu acho que antes de mais nada a gente tem que pensar na saúde de cada um e que cada um esteja confortável para poder levar para a sua casa a questão financeira e a questão da saúde, e aí a questão do lazer, da festa, eu acho que isso tudo tem que acontecer, mas no momento certo. O mais importante nesse momento é que a gente leve conforto e segurança para a nossa população, isso é o nosso foco nesse momento, eu tenho certeza de que a partir do próximo ano, superado tudo isso a gente possa pensar com mais calme e rever os nossos calendários, mas eu tenho certeza de que vai chegar o momento de a gente retomar nossa vida né.

Médio vale em foco: Quais as principais ações que podem ser destacadas na área da educação?

Jorge: Na educação nós temos alguns projetos bastante, eu diria assim, bastante audaciosos até. Nós temos hoje dentro do município duas escolas, nós temos a escola Servino Mengarda aqui no São José, a Escola de Ensino Fundamental Expedicionário Servino Mengarda atende do 1° ao 5° ano e a partir do 6° ano até o 9° ano essas crianças, elas hoje são transferidas para a Escola Estadual Giovani Trentini, então aqui nós fazemos só o que nós chamamos de séries iniciais. Lá em Rio Rosina, na Escola Prefeito João Floriane, lá nós fazemos a pré-escola, séries iniciais, que é 1° e 5° ano, e séries finais que é do 6° até o 9°. Então o que nós queremos fazer durante o nosso mandato, já a partir do ano que vem, nós entendemos que a escola Servino Mengarda ela pode ser ampliada para que todo o ensino fundamental seja feito aqui na escola Servino Mengarda, a partir do ano que vem eu imagino que eu já não entrego mais o 6° ano para o Giovani Trentini, eu quero deixar o 6° ano aqui, então estamos providenciando uma ampliação com novas salas de aula, essa mudança vai demandar duas salas novas, porque são quatro turmas em dois turnos, e o ano que vem se tudo der certo, eu já tenho algumas conversas aqui com o Renato Dallabona que é responsável pela educação, já conversei com o diretor do Giovani Trentini, o David, já tive uma conversa prévia inclusive com o secretário Vampiro para que ele nos ajude com parte dessa obra de ampliação do Servino Mengarda e o plano é claro, nós estamos aliviando a carga de alunos no Giovani Trentini pra que ele possa seguir com um novo ensino médio e quem sabe culminar com um ensino técnico ou pelo menos focar um pouco mais no ensino médio para que a gente possa preparar um pouco mais o nosso jovem do ensino médio para que ele chegue no mercado de trabalho com mais possibilidades. Só que isso é claro, demanda o dobro de espaço do Servino Mengarda, nós vamos trazer em média de 300 a 350 alunos que seriam entregues para o Giovani Trentini e eles vão começar a ficar aqui no Servino Mengarda, então durante 4 ou 5 anos, até 2025, nós vamos acumular alunos. Só que eu garanto a você, e a nossa comunidade espera por isso, hoje quem tem um filho que está cursando o 5° ano no Servino Mengarda ele já tem uma preocupação que ele não sabe onde vai colocar o seu filho para cursar o 6° ano. Nós temos alguns pais que são resistentes a levar ao Giovani Trentini porque lá você tem até o ensino médio, você tem uma criança de 11 anos que será jogada com um aluno do ‘terceirão’, então é uma diferença muito grande de ambiente e os pais ficam um pouco preocupados com isso, essa vai ser a grande mudança que vai acontecer no nosso mandato na educação.

Também vamos fazer uma grande ampliação aqui na creche do centro, provavelmente devemos trabalhar ainda para a implantação de uma creche no bairro Divinéia que tem uma demanda muito grande, vamos aliviar um pouco da carga da unidade do centro para o Divinéia, e uma outra unidade provavelmente no próximo ano, na região da serra, no bairro Rio Rosina junto com o colégio Prefeito João Floriane, essas são as ações principais dentro da educação.

Médio vale em foco: A secretaria de turismo, junto com empresários da cidade, realizou uma viagem técnica, o trade turístico. Quais investimentos estão sendo feitos na capacitação do empreendedor Rio cedrense e quais os resultados esperados?

Jorge: O turismo é uma indústria muito democrática, hoje se você for perceber por exemplo, a parte difícil do turismo a natureza já fez que é as nossas belezas naturais, a Celesc fez a parte dela construindo a barragem que é um outro atrativo, nós estamos trabalhando forte para tornar as nossas estradas mais seguras, para levar infraestrutura tanto de energia elétrica como de comunicação para o interior, para a região dos lagos, e o desenvolvimento do turismo vai ficar por conta do empreendedor. Então, se o nosso empreendedor encontrar uma situação favorável ao investimento, infraestrutura rodoviária, infraestrutura de energia elétrica, de comunicação e de segurança pública, ele vai investir. Eu acho que o que a pandemia mostrou para nós, é que o turismo regional tem muita força. Quando você está inserido num contexto como o do Vale do Itajaí, do Vale Europeu, onde as pessoas não podem mais viajar de avião, elas não podem mais ir para o Nordeste, elas não podem mais sair do nosso país, elas vão procurar atrativos aqui. A nossa região dos lagos, depois do início da pandemia ela explodiu. O que eu como prefeito e a Giovana como a minha gestora de turismo a gente vem fazendo, vamos preparar o nosso empreendedor turístico, vamos encorajá-lo a investir. Essa viagem técnica que está sendo feita, é a primeira dos últimos tempos, ela vem justamente pegar o nosso empreendedor daqui e abrir os olhos dele para o que acontece no mundo, para que eles conheçam realidades parecidas com a nossa.

O nosso interior aqui, a região da serra, ela tem um perfil muito parecido com o nosso, um turismo mais de inverno. Você sabe que nós sempre tivemos que concorrer aqui com o litoral, e é difícil você concorrer com uma praia como Porto Belo, como Bombinhas, mas agora a gente está conseguindo inserir a nossa região dos lagos dentro desse contexto, porque nós somos uma região um pouco mais acessível do que o litoral, é muito mais barato, eu diria assim, vir a região dos lagos do que ir a Balneário Camboriú, do que ir a Bombinhas, então nós estamos dentro do circuito novamente. A Giovana, ela vem da educação, ela tem como formação professora e o meu desafio à ela foi ‘agora você vai ensinar esse pessoal como é que se atende o turista’, ela vem desenvolvendo um trabalho fantástico ao meu ver, no sentido de encorajar as pessoas a investirem, porque como eu lhe falei, o turismo é muito democrático, se você hoje tiver uma residência na região e você quiser trabalhar você já pode ter aquilo que a gente chama de “bed and breakfast”, cama e café. Nós temos o circuito, o ciclo turismo, que fica dois dias dentro da nossa cidade, o circuito do Vale Europeu. Se nós soubermos aproveitar, esse cara não precisa sair de lá da nossa região para vir pra Timbó se hospedar, ele não precisa vir aqui para o centro para tomar um café da manhã, ele pode ficar lá, então, é muito inclusivo, é muito democrático e a gente percebe isso, você acaba firmando a mão de obra no interior. Eu diria assim, para a questão social, o turismo é fantástico porque você segura a mão de obra no interior, ele também vem junto com a questão do agro turismo, do turismo rural, a gente vem trabalhando isso muito forte para que a gente fixe as pessoas.

Nós tivemos algumas fases no nosso município, se você considerar de 1970/1980 até 1990, nós tínhamos uma indústria exploratória da madeira muito forte no interior, várias serrarias, e uma vez acabada aquela madeira, morreu. Então não foi uma coisa que teve continuidade, você teve aí 20 anos de desenvolvimento forte, de crescimento absurdo na nossa comunidade e de repente quando veio lá a lei da mata atlântica e fechou o corte da mata nativa morreu tudo, e aí esses municípios do interior atrofiaram. Hoje nós temos uma nova oportunidade de promover um crescimento, mas dessa vez um crescimento sustentável que é a questão do turismo, aproveitando os lagos, aproveitando as montanhas, as cachoeiras, os rios, a paisagem de uma maneira geral, e eu acho que dessa vez não vai ser um voo de galinha como foi a indústria da madeira, agora veio para ficar. Por isso nós enxergamos a longo prazo uma indústria que além de limpa é forte.

Nós temos muito para caminhar ainda, porque depende das pessoas, do empreendedor comprar a ideia, e quando você acredita no seu negócio a coisa funciona. Antes de mais nada você tem que encorajar as pessoas a fazerem as coisas, porque não é o prefeito que faz, o prefeito cria toda uma situação favorável para que o empreendedor, para que a comunidade faça, eu sou só um facilitador, o poder publico é só um facilitador, ele não executa, quem vai executar é a população.

Por isso eu acredito muito em Rio dos Cedros, por isso eu estou aqui, estou deixando de cuidar da minha fábrica, tenho uma equipe que cuida lá também, mas eu sou um entusiasta pelo município de Rio dos Cedros eu acho que nós temos muito para fazer aqui, o nosso município tem um horizonte muito aberto pela frente e se pessoas de bem sentarem aqui e derem essa direção, o nosso município ainda vai brilhar muito.

TEXTO - Cristiano Nascimento, acadêmico de Jornalismo pela Uninter e produtor do podcast Foca Na Pauta.
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