BR-470: VACINE-SE ANTES DE PEGAR ESTA ESTRADA

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TEXTO - LUIS BOGO/ESCRITOR /POETA E COLUNISTA

As estatísticas são aterradoras. O número de mortes na BR-470 é comparável aos de uma epidemia. Desde que as obras de duplicação da rodovia foram anunciadas e incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2007, cerca de 2 mil pessoas perderam a vida em acidentes ocorridos no asfalto (ou provocados pela existência de buracos e crateras onde deveria haver asfalto).

            Atrasos em licitações fazem com que obras sejam iniciadas e não concluídas, resultando em trabalhos inacabados que colocam em risco a integridade física de quem depende da rodovia para trabalhar, chegar aos hospitais, escolas, faculdades ou mesmo para abastecer suas despensas.

Uma rápida pesquisa na internet já nos dá uma ideia da novela em que se transformou a duplicação desta estrada estratégica para a economia, acesso aos portos do estado e escoamento de produção agrícola. Os adiamentos das obras são constantes e ocorrem pela não liberação de verbas orçamentárias já aprovadas, pela dificuldade de se finalizarem processos de desapropriação e por outras questões técnicas de caráter ambiental ou burocrático.

Os recursos para as obras são anunciados com pompa e circunstância, mas no momento de se abrir o cofre, minguam 25% ou 30% do previsto. O resultado são trechos não finalizados, trânsito em pista única em diversos pontos da estrada, defensas não concluídas, cones de sinalização mal distribuídos e, consequentemente, “atropelados”, placas indicativas escondidas pelo mato das margens ou mesmo inexistentes; além de acessos interrompidos e longos desvios a bairros residenciais e comércios, gerando prejuízos de toda ordem à população.

Os sons de sirenes de bombeiros e ambulâncias é constante na rodovia. Compõem uma macabra sinfonia que, apenas no trecho entre Blumenau e Indaial, anuncia uma média superior a 20 mortes por ano, sem contar os casos em que pessoas sobrevivem com graves sequelas.

Em diversos locais, o leito da BR-470 lembra um esburacado queijo. Mas não aquele queijo saboroso que os colonos do Vale do Itajaí costumam produzir: lembram um queijo velho, esquecido num canto de armário: roído, corroído e contaminado pelos dentes das ratazanas.

Assim, fica o conselho: antes de se dirigir a esta estrada, imunize-se com a prudência e vacine-se contra os perigos que estão à espreita, nas suas curvas, lombadas e crateras.

BR 470 A RODOVIA DA MORTE