Acusado de tentar comprar vacina, Miranda vai à CPI e gera tumulto

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Representante comercial Luiz Paulo Dominguetti divulgou áudio indicando tentativa de intermediação de compra pelo deputado

O deputado federal Luís Miranda, acusado pelo representante comercial da empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, de tentar intermediar a compra de vacinas, entrou na sessão da CPI da Covid desta quinta-feira (1º) e causou tumulto.

Após a divulgação de um áudio atribuído a Miranda em que ele afirma ter um “comprador e com potencial de pagamento instantâneo” Miranda entrou na sessão e conversou com o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL).

A presença do deputado causou tumulto e queixas dos senadores governistas Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Marcos Rogério (DEM-RO) e Fernando Bezerra (MDB-PE). Este último, líder do governo no Senado, afirmou: “O que é isso? Ele não pode ficar presente na sessão”. Os senadores questionaram também se se tratava de uma ameaça. 

Bezerra também pediu que o áudio seja investigado pela Polícia Federal. Na gravação atribuída a Miranda, não fica claro se o deputado se refere ao irmão, Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, como o comprador que estaria interessado na aquisição de vacinas da AstraZeneca.

Luís Ricardo já denunciou ter sofrido pressões atípicas para a compra de outra vacina, a Covaxin, a mais cara entre as negociadas pelo governo e um dos principais eixos de investigação da CPI. O contrato de R$ 1,6 bilhão, suspenso pelo governo, é apurado também pelo Ministério Público Federal.

Panos quentes

Após o tumulto gerado pela presença de Miranda na CPI, Omar Aziz tentou colocar panos quentes e pediu calma aos senadores. Acompanhado de seguranças legislativos, Luis Miranda se retirou da sala da CPI e se dirigiu à Câmara dos Deputados. As críticas não pararam, no entanto, e o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) pediu à Mesa Diretora que fosse determinada a prisão do deputado.