A PROPÓSITO DA AMABILIDADE

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TEXTO - LUIS BOGO

Rádios, jornais, telejornais e redes sociais nos bombardeiam com notícias de conflitos de toda ordem nos campos e nas cidades, no Oriente e no Ocidente, e até mesmo em lares e nas suas respectivas vizinhanças. São guerras travadas com facas, revólveres e fuzis: imagens de balas riscando os céus; de fumaças e labaredas anunciando destruição de todo tipo por motivos morais muitas vezes duvidosos – ou mesmo vergonhosos – a quem preserve o mínimo senso de humanidade.

Mas, embora as armas de fogo se tornem protagonistas nessa época cruel que vivemos, a origem de toda esta violência está no fato de estarmos perdendo a amabilidade, característica que nos faz gentis, amigáveis, fraternais e acolhedores.

Diante das misérias e agruras deste mundo, precisamos absorver a ideia de que o nosso olhar deve estar sempre sensível e compassivo. É preciso que haja um pouco mais de poesia, um pouco mais de doçura, carinho e flor em cada gesto. Demonstrar amabilidade, ser gentil, solidário e atencioso, nos faz dignos de sermos igualmente tratados com simpatia, ternura e amor.

E antes de nos abster da violência ou de praticar o movimento caridoso, precisamos nos lembrar que a amabilidade começa pelo uso adequado das palavras; pela gentileza, pela afabilidade. Em sua trajetória poética, Drummond escreveu, em Canção Amiga: “aprendi novas palavras // e tornei outras mais belas”, pois sabia a força que poderia atribuir a cada uma delas, de acordo com a forma que as colocasse em cada verso de um poema, em cada frase de uma crônica.

Por sua vez, Arnaldo Antunes perguntou: “– Você tem fome de que”? –. A pergunta é pertinente, pois nem sempre a doação que pretendemos fazer vai de encontro à necessidade do carente. Para fomes distintas, alimentos diferentes.

Assim, talvez aquela pessoa, a quem você imagina satisfazer a fome oferecendo-lhe uma ou duas coxinhas na padaria, deseje apenas o peito, o abraço amigo e amável. Sejamos amáveis.