A PIZZA NOSSA DE CADA DIA

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TEXTO – LUIS BOGO

Como bom paulistano que sou, descendente de italianos e torcedor do Palestra, desde que trocaram meu mingau por uma lasquinha de pizza apaixonei-me por esta iguaria, que hoje não é apenas um dos ícones gastronômicos da Itália, mas presença constante e referência em diversas situações saborosas; embora, ultimamente, sua imagem esteja sendo associada para ilustrar ou descrever certos acontecimentos pouco louváveis do ponto de vista ético.
A pizza, tal como a sabemos hoje, surgiu em Nápoles, na Itália, e se tornou popular graças aos soldados americanos que a conheceram durante a 2ª. Grande Guerra. Porém, a história da receita nos faz viajar há mais de 6 mil anos, época em que hebreus e egípcios já se alimentavam com finas camadas de massa, chamadas de “pão de Abraão” ou “piscea”, dando origem ao nome atual, pronunciado por centenas de milhões de vozes todos os dias.
Assim, este alimento que nos remete ao primeiro patriarca bíblico, nos faz pensar em coisas sagradas, pois foi criado para agregar e não segregar. Além disso, seu formato aureolado, permite que damas e cavalheiros; cozinheiras, motoristas, mestres e cavaleiros se reúnam em távolas, redondas ou não, para celebrarem aniversários, formaturas, uma promoção profissional ou a vitória no futebol.
Redonda, perfumada por orégano ou manjericão, geralmente é fracionada em oito triângulos saborosos que, um após um, vão formando coloridas composições de abstracionismo geométrico, harmonizando a forma angulada com a circunferência do prato e seus vermelhos molhos, amarelos queijos, e verdes temperos e azeitonas com a tela branca da porcelana.
É um prato alegre por si só. Democrático, sobre a toalha quadriculada da cantina, agrada tanto aos paladares dos filhos que se postam à esquerda quanto os daqueles que se sentam mais à direita. E, desde que saiu de seu berço original para aguçar os apetites da América, Ásia e Oceania, tornou-se unanimidade.
Nada mais delicioso do que confraternizar com os amigos tendo uma pizza como argumento, desculpa, álibi ou pelo simples pecado da gula, pois ela é mesmo uma deliciosa invenção, e nem fica feio degustá-la num piquenique ou numa calçada, sustentando-a pela borda recheada envolta num guardanapo.
Só é feio, muito feio, muito feio mesmo e até vergonhoso, ter que degustá-la no meio da rua ao ser impedido de entrar na pizzaria, seja em Nápoles, São Paulo, Timbó ou New York, por você mesmo representar um risco à saúde pública.