A GASOLINA E A LENHA NA FOGUEIRA

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TEXTO – LUIS BOGO

O brasileiro ganha em Real e paga o combustível em moeda com cotação cinco vezes superior, o dólar americano. O Brasil exporta petróleo bruto e o brasileiro paga gasolina importada em valor internacional, enquanto as refinarias da Petrobras funcionam muito abaixo da sua capacidade.

Em vista disso, com os preços dos combustíveis atrelados ao dólar, nos primeiros 10 meses do ano gasolina e diesel subiram acima de 40%, com 15 e 12 reajustes consecutivos, respectivamente. O botijão de gás, a preços estratosféricos, faz com que o dinheiro das famílias se evapore mais rapidamente do que a água que ferve para cozinhar um ovo; isto quando há ovo para ser cozido, posto que o aumento dos combustíveis gera uma reação em cadeia que acaba se refletindo na cesta básica e também em outros produtos essenciais, pois o transporte de remédios e de todos os demais insumos para a indústria também são impactados.

Neste período de pandemia, muitos consumidores se viram obrigados a efetuar determinadas compras online e a apelar para o delivery. E, muitas vezes, o custo do motoboy é mais alto do que o da aspirina que aliviará a dor de cabeça.

É ponto pacífico entre os economistas que a política de preços praticada pela Petrobras visa privilegiar os acionistas privados da empresa, aos quais interessa que seja mantido um elevado nível de lucratividade, ressaltando-se que a tal “paridade” só é observada quando o preço do barril se eleva nas bolsas internacionais.

Enquanto isso, embora o petróleo já seja “nosso” há muito tempo – assim como todo o Pré-sal e seus bilhões de metros cúbicos de gás – muitas famílias brasileiras se viram obrigadas a recorrer novamente aos fogões a lenha, com efeitos danosos à natureza, desde a terra até o ar.

Para uma boa parcela destes economistas, bastaria uma reorganização dos tributos, sem necessariamente um aumento da carga tributária, para que o Governo subsidiasse o combustível e os alimentos chegassem a preços mais razoáveis às mesas das famílias.

Assim, cabe a pergunta: cadê a vontade política para isto?